Ufam lança Mestrado e Doutorado em Indústria 4.0
Foto: Washington Costa
O reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor Sylvio Puga, acompanhado pelo pró-reitor de Inovação Tecnológica, Waltair Machado, e o Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, lançaram, dia 06 de setembro, em Brasília-DF, o programa de mestrado e doutorado em engenharia mecânica e gestão industrial com ênfase na Indústria 4.0. A pós-graduação, que será oferecida a estudantes brasileiros, é fruto de uma parceria entre Ufam, UEA e Universidade do Porto (Uporto), com articulação do MDIC.
Durante o lançamento, Sylvio Puga realçou o fato de a Ufam ser a primeira instituição federal de ensino superior brasileira a oferecer a qualificação. “É um dia muito feliz para todos que fazem a Ufam. Pelo vanguardismo e porque estamos dando passos importantes e em sintonia com o que há de mais avançado no mundo. Certamente, em breve, sentiremos os reflexos disso”, finaliza.
O pró-reitor Waltair Machado, que expos, durante o evento, o 'Programa de Capacitação: Gestão Industrial na Plataforma Indústria 4.0', destaca “todo o esforço do MDIC para implantar o remodelamento da indústria brasileira a partir da plataforma 4.0, além do seu esforço na articulação com a Uporto”, completa.
O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, ressalta a importância de se garantir a formação, em níveis de mestrado e doutorado, de profissionais com foco nos conceitos da Indústria 4.0. “Queremos qualificar engenheiros que deverão interagir na implementação e amadurecimento da 4ª Revolução Industrial em todo o país, mas com mais ênfase na Zona Franca de Manaus. Com isso, colaboramos para o adensamento tecnológico do nosso parque industrial, seja ele instalado no Polo Industrial de Manaus, seja instalado em outra região do país”, afirma o ministro.
Agenda Brasileira
A Agenda Brasileira para a Indústria 4.0 traz um conjunto de ações para auxiliar o setor produtivo em direção ao futuro da produção industrial. São 10 medidas pragmáticas e concretas que vão desde a sensibilização e engajamento das indústrias, passando pela prototipação e testes de fábricas do futuro, requisitos legais e de talentos, financiabilidade e conexões globais. As medidas estão detalhadas no site www.industria40.gov.br.
Como parte da agenda, foi publicada, em maio, uma resolução para estimular a migração das fábricas instaladas na Zona Franca de Manaus para o conceito de Indústria 4.0. O texto permite que as empresas que produzem bens de informática na Amazônia Ocidental e no estado do Amapá apresentem – em sua programação obrigatória de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação para a obtenção de incentivos fiscais específicos da região – atividades orientadas para sua atualização tecnológica e capacitação rumo à Indústria 4.0. A resolução determina que sejam reconhecidos como dispêndios em atividades de PD&I os gastos na execução ou contratação das atividades que se refiram à aquisição de máquinas e equipamentos 4.0 – como robôs industriais e colaborativos, sensores, máquinas de comunicação avançada, etc.
“A estratégia para a Indústria 4.0 visa fomentar a modernização das indústrias de todo o país para que possamos trazer conceitos de internet das coisas, de inteligência artificial, robôs colaborativos para dentro das nossas indústrias e possamos assim ser mais produtivos e competitivos e não ficarmos atrás de países que estão mais avançados nessa temática”, afirma o ministro Marcos Jorge.
Inscrições abertas para participação de pesquisadores em projetos Brasil-Suíça
![]()
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e a Fundação Nacional de Ciência da Suíça (Swiss National Science Foudation - SNSF) tornaram pública uma chamada conjunta para o Programa de Pesquisa Brasil-Suíça (Brazilian-Swiss Joint Research Programme - BSJRP). Os interessados devem apresentar propostas até o dia 23 de novembro.
Os projetos de pesquisa conjuntos permitem a parceria entre pesquisadores na Suíça e brasileiros. Serão financiados projetos dentro das áreas temáticas de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e água relacionada ao meio ambiente. Pesquisadores das áreas de humanidades e ciências sociais podem apresentar uma solicitação, desde que o objetivo da pesquisa esteja relacionado aos tópicos acima mencionados.
A convocação conjunta do SNSF, do CNPq e do CONFAP incluirá um processo de avaliação em duas fases (pré-propostas e propostas completas). Os resultados da primeira fase serão comunicados em março de 2019, e da segunda em novembro de 2019.
Para mais informações, acesse: https://goo.gl/WdmhyL
Filosofia e estética contemporânea a partir da Teoria Crítica na XXIII Semana de Filosofia

No segundo dia consecutivo, o minicurso 'Walter Benjamin: filosofia e estética contemporânea', ministrado pela professora do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Taísa Palhares, mobilizou alunos e professores na XXIII edição da Semana de Filosofia.
O evento ocorreu nesta quinta-feira, 13, no auditório Rio Solimões, do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), localizado no Setor Norte do Campus Universitário.
De acordo com a professora, no primeiro dia houve uma apresentação geral e foram levantados alguns questionamentos fundamentais quanto ao pensamento do filósofo alemão. No segundo dia, a professora discorreu sobre questões relacionadas à obra da arte. Para ela, Walter Benjamin foi um filósofo importante para se pensar o entendimento da obra de arte no contexto da Era Moderna.
“O conceito sobre obra de arte mudou. Não é mais o mesmo que se entendia no século XVIII. Ele foi fundamental para mostrar quais foram os elementos que seriam considerados uma nova obra de arte”, disse a docente.
A palestrante afirmou que os novos conceitos filosóficos tinham como suporte o Teatro de Bertolt Brecht, a Literatura de vanguarda e o cinema. Ela destaca que o filósofo foi o primeiro a escrever sobre cinema, mas, por outro lado, acredita também que, a partir daí, tratou questões relacionadas à imagem.
Dentre os conceitos fundamentais de Walter Benjamin está a ideia da imagem, conforme considerou a professora. “Hoje, nós temos uma filosofia da imagem. Muita gente está escrevendo sobre alguma obra de arte e que se tornou imagem. Ele é um dos primeiros filósofos a apontar essa mudança. A ideia da imagem se tornou um tema central para a percepção na Modernidade”, comenta a professora.
Para Palhares, o filósofo alemão foi perspicaz em perceber diversas coisas em relação às mudanças ocorridas, no entanto, acredita que ele nunca poderia prever que essas coisas estariam voltadas para a imagem. De acordo com a docente, atualmente percebemos uma exacerbação daquilo que ele vivenciou. “Hoje vivemos numa sociedade muito mais voltada para a imagem. Ele percebeu isso, mas chegou a viver numa sociedade que ainda tinha um resquício de uma tradição e nós vivemos numa sociedade muito mais da imagem e de falta de experiências."
Para a professora, Benjamin não poderia imaginar que a tecnologia avançaria como a internet ou a relação que temos com o cinema e as artes. Segundo ela, hoje nós acessamos a internet e temos várias opções que estão distribuídas de forma democrática, pois, assistimos filmes no computador, sem a necessidade de assistir numa sala de cinema.
A docente reflete quanto às implicações políticas dessas mudanças, considerando que o filósofo tratava de maneira positiva, e que aponta como validas até hoje. “Uma das grandes apostas da filosofia de Walter Benjamin e de vários artistas ligados ao Instituto de Pesquisa Social (Teoria Crítica) é a ideia que existia um poder emancipatório da obra de arte. Benjamin acreditava que era possível que a arte, a partir do seu universo da ficção, do não real, poderia recriar várias formas de perceber a realidade”, comentou a professora.
“Então, aí está o poder político da arte. A possibilidade da arte reconfigurar o real. De mostrar que determinadas coisas que acontecem, evoluções, desenvolvimentos, não são necessariamente assim. Elas podem mudar. A arte tem esse poder de apresentar essa reconfiguração da própria realidade, não é uma imitação da realidade. Ela é uma reconstrução da realidade no outro sentido, e nesse outro sentido que se pode apontar momentos de emancipação", concluiu.
Sobre a palestrante
Taísa Helena Pascale Palhares é professora de Estética no Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp). Possui graduação (1997), mestrado (2001) e doutorado em Filosofia (2011) pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza estudos nas áreas de estética e artes visuais, com ênfase na pesquisa sobre a fundamentação da obra de arte desde a Modernidade. De 2003 a 2015 foi pesquisadora e curadora d Pinacoteca do Estado de São Paulo, sendo responsável pelo projeto de exposição retrospectiva “Mira Schendel” (2012/2014), em parceria com a Tate Modern. É autora do livro “Aura: a crise da arte em Walter Benjamin” (Fapesp/Ed.Barracuda, 2006). Atualmente desenvolve pesquisa sobre a percepção estética como jogo em Walter Benjamin e sua relação com a Arte Moderna e Contemporânea.
Início








