Artefatos de 2 mil anos em exposição na zona Leste

Visitantes terão até início de junho para visitar mostraVisitantes terão até início de junho para visitar mostra

A Universidade Federal do Amazonas, por meio do Museu Amazônico, mantém, até o próximo 8 de junho, no Shopping Via Norte, a mostra Artefatos Arqueológicos e Etnográficos, em parceria com o próprio empreendimento comercial. A exposição abrange peças do acervo do Museu, do laboratório de Arqueologia da Universidade, contando com apoio de pesquisadores da Uatumã Arqueologia, Sociedade e Meio Ambiente. 
 
Alocado em um espaço de aproximadamente 100 metros quadrados, a mostra tem fragmentos cerâmicos, vasilhames datados dos séculos IV e IX, apliques cerâmicos, artefatos polidos e de rochas lascadas e até uma urna funerária, de pelo menos 2.000 anos, que até então não tinha sido exposta. Há, ainda, instrumentos musicais da etnia Sateré-Mawé diversos outros artefatos das etnias Baniwa e Tikuna.   
 
Segundo um dos organizadores do evento, professor Carlos Augusto, do Departamento de Ciências do Ambiente e colaborador do Museu Amazônico, contou que Manaus é uma das capitais brasileiras mais ricas em patrimônio arqueológico-pré-colonial.
 
"Tanto na área urbana, quanto no entorno, já foram localizados quase uma dezena de sítios. Na zona Leste, onde está localizado o empreendimento que abriga lojas e também, a exposição temporária, pesquisas sugerem que a região foi densamente ocupada por povos ainda não devidamente identificados", disse o professor. 

 
Equipe responsável pela Mostra Equipe responsável pela Mostra
Ele falou, ainda, que os primeiros registros dessas populações datam de 1669, mas não muito que se saiba por meio de escritos. A compreensão de suas origens e quem eram se baseiam nos materiais encontrados. 
 
"O bairro do Japiim é onde encontramos muitos desses pedaços de história, a qual sabemos que existem porque moradores da área os encontram e pensam que é um simples resto de construção. Para se ter uma ideia de sua importância, muito do que se consome hoje, foi certamente introduzido na nossa cultura por esses povos. Portanto, é muito importante conservar os materiais", frisou.   
 
De passagem pelo shopping, o morador do bairro Jhenisson Progenio se interessou em levar a família para conhecer a mostra. 
 
"Eu não sabia que havia tanta história aqui. Eu particularmente me interesso muito pelo assunto, procuro ler e me informar e esta é uma boa oportunidade de aprender", disse o visitante, que pode conferir cinco conjuntos de peças, cada conjunto variando com o quantitativo unitário até dez fragmentos.
 
Para a diretora do Museu Amazônico, professora Maria Helena Ortolan, os moradores da comunidade que circundam o shopping estão tendo a oportunidade de conhecer a história de seus antepassados. 
 
"Cada artefato desse traz consigo a cultura, a tecnologia desses povos. Estamos falando de milhares anos, mas eles tinham tecnologia, não foi trazido de fora para cá, eles tinham a própria. Ao contrário do que se pode achar, os que ingressaram na Amazônia estagnaram essa capacidade de solucionar as questões cotidianas", contou. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I Círculo de Palestras sobre Cultura e Literatura no Amazonas aborda "Cidade e Memória: Manaus de 1920 a 1967, o Mito em Crise"

Palestrante buscou fazer nova leitura sobre crise da borrachaPalestrante buscou fazer nova leitura sobre crise da borracha

O Programa de Pós-Graduação em Letras, em parceria com o Grupo de Pesquisas Estudos de Literatura de Língua Portuguesa (Gepelip), e o Núcleo de Pesquisas em Linguagens de Expressão Amazônica (Conplexa), vinculados ao Departamento de Letras, Língua e Literatura Portuguesa (DLLP) promoveu nesta segunda-feira, 11, mais uma atividade voltada aos alunos de pós-graduação, acadêmicos de Letras e de áreas afins, professores de literatura, e demais interessados de outras áreas do conhecimento acerca do tema "Cidade e Memória: Manaus de 1920 a 1967, o Mito em Crise", proferido pelo professor titular da UFAM José Aldemir de Oliveira. O evento fez parte do I Círculo de Palestras sobre Cultura e Literatura no Amazonas. 
 
Antecedendo a exposição do palestrante, o mestrando do curso de Letras, Rafael Silva, fez a leitura curricular e acadêmica do professor José Aldemir de Oliveira, que é doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP). Ele tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Urbana e Geografia da Saúde, atuando, principalmente, nos temas: Amazônia, cidade de Manaus, cidades amazônicas, cidade e sustentabilidade. O professor atuou, ainda, como diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no período 2003 a 2005; foi secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas de 2007 a 2009; reitor da Universidade do Estado do Amazonas, entre julho de 2010 e março de 2013 e lidera o Núcleo de Estudos e Pesquisas das Cidades na Amazônia Brasileira (Nepecab), sendo professor dos cursos de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia e de Geografia na Universidade Federal do Amazonas.
 
Durante a palestra, o professor José Aldemir de Oliveira projetou construir uma interface com a cultura, fazendo reflexões, sobre o chegar e como era a cidade; do espaço da crise às espacialidades das festas e da arte, por fim, da vivência do que permanece como memória e o que se transforma como reconstrução de novos tempos. O ponto de partida foi a pergunta: "Cidade da crise, de 1920 a 1967: qual a crise?". A resposta veio com a ideia de que cidade é construção e desconstrução do cotidiano. 
 

Clubes surgem como estruturação cultural Clubes surgem como estruturação cultural

"A cidade é tudo isso, mas não só isso. Eu retomo uma ideia de resultado de uma pesquisa fruto da minha tese para professor titular desta Instituição, sob a ótica, que nós na Amazônia, particularmente em Manaus, somos atingidos por longos períodos de crises, com breves períodos de farturas para poucos e migalhas para a maioria. É como se estivéssemos sempre à espera dos restos, que nos são postos, em processos que não se concluem. É como se a história não fosse feita, mas estivesse sempre por se fazer", disse.
Ele continuou apresentando a visão de que é preciso observar que cidades e metrópoles devem ser olhadas de ângulos distintos. Para eles, a primeira tem um dia a dia com aconteceres humanos e nas metrópoles, há limitações, pois as construções perpassam apenas por valores, estruturas e, dificilmente, pelo que é inerente ao homem. 
 
"Diferente do que se prega historicamente, não vejo que tenhamos vivido uma crise astronômica, que torna Manaus alheia a quaisquer possibilidades de desenvolvimento que não fosse a borracha, até porque o látex rendeu capitais para aqueles poucos e os que eram pobres permaneceram assim", disse ele, que afirmou, também, que em pouco tempo, os trabalhadores extrativistas foram migrando para outras culturas, buscando o sustento. Com aquela crise, a cidade é tomada por vencidos, daí foram surgindo os bairros, onde os moradores buscam se constituir cultural e economicamente. .
 
A leitura "cultural" sobre o tema da sua palestra surgiu com a exposição de fotos cotidianas do que se tinha como representação cultural para os moradores da cidade daquele período, em meados da década de 1920. 
 
"Eis que surgem cidade balneária, os cinemas, os clubes, as festas religiosas. Naquela época ainda existia uma cidade a qual tinha 'beira' e não orla. A orla torna a cidade sem memória", salientou. 
 
Por fim, o professor e palestrante disse que, embora haja uma exposição antagônica do ontem em relação ao hoje, é preciso aceitar que toda cidade pode ser construída, reconstruída, estar num estado inacabada de desenvolvimento e que isso é "natural" e que seria necessário encontrar um equilíbrio. 

Edição de maio da AgroUfam promove envolvimento cultural

Criações da ucraniana Galina BalevaCriações da ucraniana Galina BalevaOcorreu nos dias 7 e 8 de maio a A Feira da Produção Familiar, a AgroUfam. Dentre outras coisas, a feira promoveu, nessa edição, o envolvimento de culturas diferenciadas, como foi com a arquiteta ucraniana Galina Baleva, de 59 anos, que mora em Manaus desde 2005 e decidiu largar a arquitetura para devotar-se às artes manuais. Seus trabalhos envolvem técnicas como patchwork, pintura em tecido e costuras em geral. A paulista Maria Cândida e a cearense Lita Freire, ambas com 50 anos de idade, trabalham com os mais variados tipos de materiais, como MDF, material reciclado e tecidos, e expõem seus trabalhos na Feira desde o início desse ano.

“Nem toda feira você só vai pra vender, tem dias que não vendemos mesmo, mas só o fato de ter essa iniciativa na UFAM e o reconhecimento que recebemos, já é muita coisa!”, essas foram palavras da artesã Rosemeire Ribeiro, 40 anos, que participa da AgroUfam desde março de 2014. Membro da Associação Jasmine e moradora do Iranduba, a artista trabalha com bonecas de pano, fuxico e artes em tecido. Elogiou, também, a organização do evento “são poucas feiras que se preocupam em deixar as barracas prontas pra gente só colocar nossos trabalhos”, disse. 

Sobre a feira

Artigos feitos com sementes regionaisArtigos feitos com sementes regionais

Além de trabalhos feitos com tecido, MDF e material reciclado, a feira comercializa hortaliças, frutos, doces, geleias e trufas de frutas regionais. Plantas ornamentais e artesanatos em geral, também são comercializados no evento. AgroUfam é uma iniciativa realizada desde 2013 pelo Núcleo de Socioeconomia da UFAM (NUSEC), em parceria com a SEPROR e a FAPEAM. A AgroUfam não é uma feira convencional, é um espaço educativo que estimula o intercâmbio de conhecimentos que visa estimular a produção local, o empreendedorismo e, consequentemente, fortalecer a economia regional.
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