Seminário Estadual do Pnaic debate alfabetização e letramento na Ufam

Por Juscelino Simões
Equipe Ascom

A Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas (Faced/Ufam), por meio do Centro de Formação Continuada, Desenvolvimento de Tecnologia e Prestação de Serviço para Rede Pública de Ensino (Cefort), juntamente com o Ministério da Educação, Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino (Seduc), Governo do Amazonas, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), realizou nesta segunda-feira, 26, a abertura do Seminário Estadual ‘PNAIC Amazonas: a prática pedagógica mediada na perspectiva da escolarização e letramento da criança e do adolescente 2017-2018’. O evento ocorreu no auditório Rio Amazonas, da Faculdade de Estudos Sociais (FES), no setor Norte do Campus e se estende até amanhã, 27.

A mesa de abertura foi composta pelo vice-reitor da Ufam, Jacob Moysés Cohen, secretário estadual de educação, Gedeão Amorim, do vice-diretor da Faced, Cláudio Gomes, diretora do Departamento do Centro de Formação da Seduc, Regina Teixeira, presidente da UNDIME, Edelson Pinto, do diretor da FES, Jorge Campos e do coordenador do Cefort, Luiz Carlos Cerquinho (também representou a coordenadora de formação do PNAIC, Zeina Thomé).

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) é um compromisso formal e solidário assumido pelos governos Federal, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, desde 2012, para atender à Meta 5 do Plano Nacional da Educação (PNE), que estabelece a obrigatoriedade de alfabetizar todas as crianças até o final do 3º ano do Ensino Fundamental.

Ao aderir ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, os professores alfabetizadores e orientadores de estudos participam de uma formação, com carga horária de 180 horas. Para gerenciamento das atividades da formação continuada deste programa, os professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos foram cadastrados no Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle (SIMEC), que é responsável pela geração dos dados para certificação dos docentes e pedagogos.

A formação é destinada a professores que atuam na Educação Infantil, professores alfabetizadores e a um coordenador pedagógico por unidade escolar e tem como objetivo consolidar saberes, conhecimentos e experiências pedagógicas vivenciadas no processo da formação continuada, visando ao letramento e o desenvolvimento da criança e do adolescente.

Ao entrar na fase conclusiva de formação dos professores no âmbito do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), o Cefort/Ufam realiza o Seminário referente ao trabalho realizado em 2017 e 2018, envolvendo professores da Educação Infantil, 1º ao 3º ano, e 4º aos 6º anos no programa Novo Mais Educação nos municípios do Amazonas.

A programação contempla diversos formatos do processo pedagógico da formação e da atuação nas escolas, por meio de palestra, atração cultural, mesa-redonda, exposições dos formadores regionais e formadores locais, rodas de diálogo e ateliês. Estes formatos serão desenvolvidos segundo as condições e possibilidades dos polos e municípios participantes dos cursos.

O coordenador do Cefort, Luiz Carlos Cerquinho, ressaltou a presença de inúmeros professores que vieram de vários municípios e que  tratar do Pnaic é um prazer e ao mesmo tempo um desafio em face do entendimento de que o mapa genético da formação escolar é a alfabetização e o letramento. “Parabéns aos professores presentes que com toda a dificuldade das distâncias amazônicas estão aqui. É um prazer e ao mesmo tempo um desafio realizar este Seminário, em razão do entendimento de que o mapa genético da formação escolar é a alfabetização e o letramento, sem essa base não existe processo sequenciado da escolarização. O PNAIC tem uma história que começou em 2009 e foi se ampliando ao longo de anos na formação de professores do estado e dos municípios. O processo de formação no estado do Amazonas não é uma tarefa fácil, temos uma diversidade cultural enorme que dificulta esse processo, mas sempre estivemos na luta”, disse Luiz Carlos Cerquinho.

O vice-reitor da Ufam, Jacob Cohen, afirmou que apesar de ser médico atuou também como professor. “Estou neste momento prestando serviço administrativo como vice-reitor da Ufam, mas sou professor na Faculdade de Medicina e também lecionei durante seis anos no colégio Estadual para estudantes do Ensino Médio. É um Seminário importante porque sem a alfabetização e o letramento não existe o Ensino Superior. É a base na formação de qualquer estudante”, afirmou o vice-reitor.

A professora da creche municipal Sandra Braga de Iranduba, Juzy Uchôa da Silva, destacou a importância de compartilhar o que aprendeu na formação do PNAIC no Seminário, como também demonstrar a contribuição na sua formação e dos outros professores da escola. “Espero compartilhar o que aprendi no PNAIC e a contribuição na nossa formação e na formação dos professores que atuam na escola”, disse a professora.        

 

 

 

 

Nota de Falecimento – TAE Clayton Rodrigo Colares

 

A Universidade Federal do Amazonas, por meio da Faculdade de Ciências Agrárias, informa, com pesar, o falecimento do servidor Técnico-Administrativo em Educação (TAE), Engenheiro Florestal, Clayton Rodrigo Barbosa Colares, 42 anos, ocorrido na última sexta-feira, 23.

O servidor tinha 12 anos de Ufam e era técnico de laboratório da faculdade. Clayton deixa a esposa e duas filhas. A Ufam se solidariza com a família e amigos nesses dias de luto, e expressa as mais sinceras condolências pela perda de um ente querido.

Professor apresenta perspectivas para o desenvolvimento sustentável no Amazonas

Professor Maurício Brilhante é doutor em Administração Pública e GovernoProfessor Maurício Brilhante é doutor em Administração Pública e GovernoPor Cristiane Souza
Equipe Ascom/Ufam

Na tarde da última quinta-feira, 22, o professor Maurício Brilhante de Mendonça, docente da Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas (FES/Ufam), apresentou aos convidados do Fórum para o Desenvolvimento do Amazonas, realizado pela Pró-Reitoria de Extensão (Proext), sobre o tema desenvolvimento sustentável. Ele partiu de uma análise global, passando pelo contexto brasileiro até chegar à realidade vivenciada no âmbito local.

De início, o orador enumerou as principais e mais profundas mudanças vivenciadas em nível planetário nas áreas social, geopolítica, tecnológica, econômica e ambiental, conforme dados fornecidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). “Estamos passando hoje por um momento de transição social e tecnológica, que traz consigo mega tendências como o envelhecimento da população mundial, o aumento do nível de escolaridade e o aumento da população urbana, concentradas em megacidades, aglomerados urbanos com mais de dez milhões de habitantes”, disse o pesquisador, apontando o ano 2035 como marco.

O professor Maurício Brilhante, que cursou o mestrado em Desenvolvimento Regional na Ufam e o doutorado em Administração Pública e Governo na Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP),  completou sua participação no Fórum com uma breve análise no ambiente internacional e nacional dos aspectos que estão inseridos como desafios para o Amazonas. Além disso, frisou o papel das Universidades – especialmente as públicas – e de outros atores diante das variáveis trazidas pelo estudo como certezas ou dúvidas. As políticas públicas capazes de auxiliar o desenvolvimento local e o futuro das potencialidades do Amazonas também foram pontos de discussão apresentados pelo pesquisador.

No Brasil e no mundo

Foram apresentados três momentos: o Futuro (e suas prioridades), o Passado (e seus obstáculos) e o Presente (acompanhado de suas necessárias mudanças). Partindo disso, o professor discorreu sobre temas gerais, que devem causar mudanças em nível planetário, como a geopolítica e os déficits de governança, marcados pela incerteza. Segundo ele, não é possível prever, por exemplo, se o dólar permaneceria como a moeda mais forte em 2035, ou se a China cairá ou não na armadilha da renda média, estagnando seu movimento de liderança. “Se não houver crescimento chinês, isso afetará a economia do mundo”, afirmou.

No setor da Ciência e Tecnologia, a previsão é mesmo de que haja expansão acelerada e multidisciplinar, por meio do uso de aplicações tecnológicas mais integradas não somente na indústria, mas na agricultura, no comércio e nos serviços. A “internet das coisas”, por exemplo, já é uma realidade irreversível, assim como a biotecnologia e a nanotecnologia. “Se, de um lado, a inteligência artificial é a nova fronteira, de outro, as regiões mais pobres continuarão a ser excluídas da sociedade da informação, seja pelos altos índices de analfabetismo ou pela falta de energia e acesso à internet e às telecomunicações”, comparou o docente.

Em se tratando de Brasil, o professor Maurício Brilhante apontou que, até 2035, as mudanças demográficas continuarão impactando as políticas públicas e o investimento em infraestrutura social e econômica ainda será insuficiente. “Os profissionais que podem apresentar as soluções nesses temas são os egressos das áreas de Geografia, Economia, Ciências Sociais, Ciências da Saúde e Engenharias, entre outros”, apontou o pesquisador, ao avaliar, ainda, que o aumento dos anos de escolaridade da população brasileira não será acompanhado de avanços expressivos na qualidade da formação, embora haja empoderamento dos atores sociais.

"Universidades terão papel fundamental no novo cenário geopolítico", diz orador"Universidades terão papel fundamental no novo cenário geopolítico", diz oradorA criminalidade e a sensação de insegurança serão mantidas até 2035, segundo as informações trazidas pelo professor Maurício Brilhante. Outra questão importante é a transição entre o paradigma da cura e o do cuidado, com aumento da demanda pelo uso contínuo de serviços de saúde e por profissionais das áreas de Medicina, Fisioterapia e Serviço Social. O aumento da razão de dependência na população brasileira, com ênfase em Ciências Atuariais e Economia. “No plano econômico, uma das mudanças é a ‘uberização do sistema financeiro’, esta promovida pelas Fintechs, startups que atualizam a operacionalização das relações financeiras”, pontuou o professor, ao citar a agilidade na disponibilização desses serviços.

Desenvolvimento sustentável

Em relação ao cenário local, o professor tratou de possibilidades para o Estado do Amazonas. “Estamos num momento de transição, em primeiro lugar, mudando toda a tecnologia do mundo e, em segundo, há uma transição no próprio modelo Zona Franca de Manaus, que está se esgotando. Na verdade, a palavra sustentabilidade, nesse contexto, não tem relação apenas com a questão do ambiente, mas sim com o tempo. Ou seja, você promover o desenvolvimento econômico que seja constante”, afirmou o professor Maurício Brilhante.

 

Inclusive, na tese de doutoramento do pesquisador, foram investigadas as  prorrogações do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM): “Primeiro identificamos quais as articulações para que esse modelo, que já tem 50 anos de idade – e que tem mais 50 anos pela frente – seja o modelo dominante hoje. A ZFM foi uma escolha, porque, a partir do momento que ficamos com ela, abrimos mão de outras possibilidades. A principal conclusão da tese foi a de que havia um consenso, pelo menos até 2013, principalmente entre da classe política federal, de que o modelo, deveria ser mantido no Amazonas”.

Uma das conclusões a que ele chegou foi a de que existem vários setores da sociedade – por exemplo, os agricultores familiares, serviços, comércio, e outros – têm menos voz, “enquanto aqueles que têm o maior poder econômico exercem também o poder decisório quando da formulação desses planejamentos, seja no parlamento ou na governança. É preciso ter mais equilíbrio nessa participação e influência”.

No âmbito do Grupo de Pesquisa em Administração Pública, Governo e Sociedade (GPAPGES), liderado pelo docente, são promovidas articulações, em iniciação científica e pós-graduação, com ênfase em estudo de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. “Atualmente, há participação de docentes da FES, mas a proposta é expandir o grupo e incluir outras instituições como parceiras”, garantiu o orador do Fórum Permanente.

Sobre o Fórum

Surgiu como uma iniciativa da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Amazonas, para dar subsídios teóricos de modo a contribuir para com a solução dos problemas mais graves que entravam o desenvolvimento econômico e social do Amazonas.

Outro objetivo do Fórum é auxiliar na formação acadêmica dos estudantes e pesquisadores através de levantamentos de problemas e hipóteses que possam instigar o desenvolvimento da pesquisa regional, estimulando a proliferação de uma consciência amazônica voltada para a solução de problemas regionais a partir de suas condições reais objetivas e no contexto de uma política de desenvolvimento autossustentável.

Para viabilizar as discussões no âmbito da academia, o fórum pretende realizar, com a participação dos mais diversos segmentos sociais e acadêmicos, sessões de seminários multidisciplinares e multissetoriais sobre problemas regionais, buscando a sua compreensão numa perspectiva global e inter-relacional.

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