UFAM e representação das cooperativas no Amazonas assinam convênio para criação de vagas de estágio voltadas a alunos da FCA
Evento reuniu representantes do setor primário e alunos
Representantes da Universidade Federal do Amazonas e do Sistema OCB-Sescoop, integrado pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Amazonas (OCB-AM) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Amazonas (Sescoop/AM) assinaram, na tarde desta sexta-feira, 4, o termo de convênio que possibilitará a criação de vagas de estágio de alunos finalistas da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), dentro de cooperativas agroextrativistas. A iniciativa fez parte do evento realizado pelas duas instituições, o Workshop Gestão Sustentável no Cooperativismo na Amazônia, ocorrido no auditório da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), no setor sul da Ufam e que teve como objetivo explanar sobre o segmento cooperativista.
Sobre o convênio, o pró-reitor adjunto da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg), Nelson Noronha, que representou a reitora da Instituição, professora Márcia Perales assinou o documento, juntamente com o diretor da FCA, Néliton Marques. Pelo Sistema OCB-Sescoop/AM, o termo foi endossado por Petrucio Magalhães Junior, que abriu a série de pronunciamentos sobre a importância do acordo.
Para ele, que é egresso da Federal do Amazonas, a parceria zela pelo fortalecimento do conhecimento acadêmico extracurricular, de alunos nos períodos finais do curso de graduação, focando numa demanda cada vez mais crescente de especialistas no primeiro setor.
Convênio foi beneficiará alunos finalistas da FCA
"No interior, há mais de 50 cooperativas agroextrativistas, que receberam várias políticas públicas incentivadoras, como as que adquirem os alimentos para a merenda escolar. Esse incentivo, alavanca a renda das famílias, a economia dos municípios e também do Estado. Quando eu era acadêmico, o Produto Interno Bruto (PIB) era de 2%, hoje, são 7% e pouco a pouco cria-se a percepção de que a economia estadual não pode estar restrita, dependente da Zona Franca de Manaus", frisou Petrucio.
Ele ainda salientou que os produtores locais têm para quem vender, mas que é preciso melhorar a qualidade, além de dinamizar os processos produtivos.
"A presença de um estudante da FCA dentro de um plano de trabalho nas cooperativas, orientado pela Ufam, com apoio do Sescoop, vai fomentar as chances de um desempenho consideravelmente melhor das entidades. É isso que queremos e buscamos", ressaltou.
O diretor da FCA, Néliton Marques, revelou que a ideia de implementar a parceria entre as instituições rompeu com qualquer outra preocupação que cerque as gestões.
"Nós tivemos essa ideia do convênio e a apresentamos ao Petrucio, que prontamente atendeu. Acreditamos que é dessa forma, pensando em conjunto, que poderemos mudar a realidade do nosso interior e os produtores rurais. De nada adianta assinar este papel, se não oxigenarmos essa parceria, porque quem ganha são os alunos da Faculdade de Ciências Agrárias, as cooperativas e o primeiro setor. É uma agenda de sinergia", disse.
Artista imitou o canto de pássaros da região, no evento
O pró-reitor adjunto da Proeg, professor Nelson Noronha, disse que o caráter do aprendizado está diretamente ligado ao espírito cooperativista, que atua junto à sociedade. Isso é do cooperativismo, que tem como essência a ideia de sociedade humana, em busca do bem comum. Estou aqui representando a reitora, professora Márcia Perales, que vê o convênio com ótimos olhos, como uma rede para criação de uma agricultura sustentável", garantiu.
Experiências exitosas
A programação foi continuada com as palestras apresentadas pelo presidente da Cooperativa Agrofrut, de Ucucará, que trabalha com o guaraná para beneficiamento e exportação e a parceira existente entre o Sistema OCB-Sescoop/AM e a Universidade Federal de Viçosa (MG), similar à que se firmou com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
O Workshop buscou esclarecer alunos e a disseminar entre eles, a filosofia do cooperativismo, que é uma organização econômica e social em prol de um conglomerado de pessoas associadas.
Na apresentação do presidente da Agrofrut, Antônio Carlos Monteiro Fonseca, sob o tema ""Experiência da Agrofrut na produção sustentável e orgânica", dados de organizações internacionais foram divulgadas.
Falou-se que o consumo de alimentos orgânicos tem aumentado entre 25% e 30% ao ano; que existem 800 mil hectares de cultivo de orgânicos e que o Brasil tem hoje 20 mil famílias trabalhando com produtos orgânicos.
"Ainda segundo esses dados, cerca de US$ 30 milhões em orgânicos são exportados e outros US$ 200 milhões são comercializados no País, ou seja, há muito mercado para nós, do cooperativismo. Precisamos nos qualificar e nos unirmos para termos nosso espaço, num mundo cada vez mais interessado em se alimentar melhor", argumentou.
A palestra seguinte foi proferida pelo presidente do Sistema OCB-Sescoop/AM, Petrucio Magalhães Junior, que falou da missão e visão do OCB-Sescoop e o processo e caminhos percorridos pelos estagiários de Viçosa, em Manaus, que começaram a ir a campo, no Amazonas, no ano de 2003.
"Nossas expectativas são as melhores possíveis, pois precisamos muito da força dos jovens profissionais no interior do nosso Estado, principalmente quando esses estudantes são da região", disse Petrucio.
Prodeca publica resultado de seleção de bolsistas
A coordenação do Programa Ouvindo Conselhos na Área da Infância e Juventude (Prodeca) divulgou o resultado da seleção de bolsistas para o Programa. Confira os nomes dos classificados bem como os documentos que devem ser apresentados para efetuar inscrição no arquivo em anexo.
O PRODECA
O PRODECA é responsável por construir um processo de formação continuada para conselheiros tutelares, com vistas a edificar uma proposta de Tecnologia Social que contribua para a construção de estratégias de ação para o fortalecimento e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes em Manaus.
Professor Miguel Ângelo defende tese sobre gestão biotecnológica na produção do açaí
Com a preocupação em articular as áreas de gestão e biotecnologia, o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), Miguel Ângelo, defendeu nesta sexta-feira (4), a tese de doutoramento intitulada “Limitações institucionais de inserção da gestão biotecnológica na produção de polpa de açaí”. Com o trabalho, ele consolida a trajetória acadêmica iniciada em 1974, quando ingressou no quadro de docentes desta Universidade.
A escolha pela interlocução entre conceitos tanto da administração quando da biotecnologia se dão por vários motivos. O professor é farmacêutico industrial e administrador por formação, além de possuir especialização em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrado em Controle de Qualidade desde 1976, além de formação complementar em Tecnologia de Medicamentos na Universidade Ghent (Bélgica). “Agora considero que minha carreira universitária está completa”, comemorou o pesquisador.
Esta é a 162ª tese defendida por meio do Programa Multi-institucional de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPG-Biotec/Ufam), e isso, de acordo com o orientador do trabalho, professor Jamal Chaar, é motivo de muito orgulho. “Significa que temos 162 doutores na área de Biotecnologia”, enfatizou. Sobre o orientando, Chaar afirmou ter sido valiosa a parceria: “Não tive dificuldades, pois ele é muito dedicado, centrado nos objetivos; decidimos juntos”. A partir dos resultados da pesquisa, de acordo com o orientador, será possível propor modelos de gestão mais eficazes para os pequenos produtores de açaí nesta Região. Segundo a pesquisa, 283 famílias produzem quase 100 litros de polpa de açaí por dia em Manaus.
A tese trata, a partir de abordagem qualitativa e quantitativa, dos problemas de organização e planejamento das unidades de produção de polpa de açaí na zona urbana de Manaus. “Foram acompanhados os processos produtivos em estruturas familiares, com observação não participante e também com aplicação de formulários”, explicou o professor Miguel, completando: “observam-se tecnologias de produção rudimentares em estruturas que não permitem a capitalização das unidades produtoras”. Outro aspecto destacado foi a baixa escolaridade dos 24 entrevistados – nenhum possui ensino superior completo, o que, segundo ele, pode reforçar as barreiras existentes entre eles as instituições de ensino e pesquisa capazes de desenvolver e implementar processos e tecnologias mais eficientes.
A banca foi composta pelos professores doutores da Ufam José Odair Pereira, Luiz Roberto, Márcia Perales e Spartaco Filho. Todos destacaram a importância de pesquisas com a característica de transversalidade, especialmente quando é relevante ao PPG-Biotec a cultura de avaliar a gestão na área de Biotecnologia. A reitora, ao avaliar o trabalho, apontou que os resultados podem trazer tanto o redimensionamento de práticas quanto a interferência nas políticas públicas já existentes e até a criação de outras no referido setor. “A importância também se dá porque o açaí é muito importante no mercado local”, frisou a professora Márcia Perales. A alternativa para que os pequenos produtores tenham “poder de mercado”, segundo o professor Luiz Roberto, é que eles se organizem institucionalmente, em associações, por exemplo.
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