Ufam oferece curso de licenciatura ao povo Ticuna

Professora Márcia e povo Ticuna de FeijoalProfessora Márcia e povo Ticuna de FeijoalComunidade do Feijoal, situada próxima ao município de Benjamin Constant, formada principalmente de índios Ticuna, recebeu a notícia do oferecimento do curso de Licenciatura Formação de Professores Indígenas a partir de 2014. O anúncio foi feito pela reitora da Ufam, professora Márcia Perales, em visita realizada àquela comunidade.

Feijoal possui aproximadamente três mil índios da etnia Ticuna, os quais solicitaram a implantação de cursos de educação superior na comunidade à semelhança do que já ocorre nos municípios de Borba, Maués e Barreirinha, no Amazonas, e Tapajós, no Pará, os quais possuem cursos para atender os povos Munduruku e Sateré-Mawé.

De acordo com a reitora da Universidade, sempre fora intenção da Ufam atender à demanda dos Ticuna de Feijoal, tanto que desde o pedido, uma equipe vinha trabalhando para tornar realidade o desejo dos moradores da comunidade. “Nós trabalhamos junto com a Faculdade de Educação tentando ver uma forma de corresponder ao anseio da população do Feijoal. Na época, não havia como atendê-los porque a Faced estava concluindo a licenciatura Mura e tinha iniciado a Munduruku e a Sateré. Então, estávamos respondendo a uma demanda imensa e, agora que os Mura concluíram, nós vimos essa possibilidade de atender essa comunidade,” comemorou a reitora.

Professora Elciclei SantosProfessora Elciclei Santos

Professora Márcia Perales revelou a reação dos moradores de Feijoal ao receberem resposta positiva da Universidade. “Eles ficaram muito felizes quando souberam. Estavam com aquele brilho nos olhos, cheios de expectativa. Quiseram nos receber e nós fomos à comunidade. Participamos de uma solenidade. Foi uma acolhida supercalorosa”, enfatizou a reitora da Ufam. “A Universidade tem conhecimento de sua responsabilidade em relação às comunidades indígenas, mas ela sabe também que esse atendimento não pode ser feito de qualquer maneira”, completa.  

Para a professora Elciclei Santos, coordenadora do curso, ao oferecer formação de nível superior às comunidades indígenas, a Ufam, por meio da Faced, assume dois desafios. “Atuar junto aos povos indígenas, população historicamente excluída do ensino superior, coloca para a Faced o desafio de contribuir com a formação de professores indígenas, instrumentalizando-os na construção de seus projetos de vida e de futuro. Ao mesmo tempo, o corpo docente da Faced, que atua junto ao curso, tem a oportunidade ímpar de aprender novas formas de pensar e fazer educação numa perspectiva interdisciplinar, intercultural”, disse.

Sobre o Curso de Formação de Professores Indígenas

O curso tem duração de cinco anos e habilita professores indígenas para atender a educação básica nas escolas indígenas em três grandes áreas: Humanas e Sociais, Exatas e Biológicas e Letras e Artes. As mais de 20 Instituições de Ensino Superior que oferecem esse curso o denominam Licenciatura Intercultural, na perspectiva de que proporcione o diálogo simétrico entre os saberes indígenas e não indígenas, valorize as cosmologias e os processos educativos próprios das etnias envolvidas e atendam às necessidades de suas escolas.

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