Produção de florestas é aposta de estudante da Ufam para vencer Prêmio de Empreendedorismo Sustentável

Ludymila passará um ano na Worcester Polytechnic Institute (WPI), nos EUA, por meio do Ciências sem FronteirasLudymila passará um ano na Worcester Polytechnic Institute (WPI), nos EUA, por meio do Ciências sem Fronteiras

Como conectar moradores de áreas rurais dos municípios de Iranduba e de Barcelos, localizados no interior do Estado do Amazonas a 9 km e a 405 km distantes de Manaus, respectivamente, a empresas e pessoas do mundo todo, de modo que, em curto prazo, meio ambiente e todos os envolvidos nesse processo saiam ganhando? 

A solução encontrada pela estudante do 5º período de Ciências da Computação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ludymila Lobo de Aguiar, e pelo professor orientador dela, doutor Alexandre Rivas, foi investir em árvores. Isso mesmo. 

Com o título “Produção de floresta e de serviços ecossistêmicos na Amazônia utilizando mecanismos de mercado”, o projeto que detalha todo o processo de geração de renda por meio do plantio e do cultivo de mudas de árvores, elaborado pela estudante e pelo professor, é um dos finalistas do Prêmio de Empreendedorismo Sustentável Amazônia 2020, que ocorre no próximo dia 6 de agosto (terça-feira), às 20h, no auditório Samaúma da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Ufam. 

Empresas, ribeirinhos e compradores de certificados de carbono são os envolvidos diretos no processoEmpresas, ribeirinhos e compradores de certificados de carbono são os envolvidos diretos no processo

O projeto consiste num sistema de produção em que empresas investem para que ribeirinhos possam reflorestar áreas que sofreram intervenção humana e, após o crescimento das mudas, sejam gerados certificados de carbono. Os certificados poderão ser comprados por investidores e comercializados no mercado de carbono.

Ludymila explica que, primeiro, empresas compram certificados de árvores para que haja dinheiro a ser investido na compra de sementes, as quais serão entregues aos ribeirinhos de áreas dos municípios de Iranduba e de Barcelos, onde inicialmente o projeto está sendo implantado. 

“A ideia do projeto é conectar pessoas que querem salvar a Amazônia com pessoas que têm dinheiro e com pessoas que vivem nessa Região. Moradores das grandes cidades às vezes querem ajudar a salvar a natureza e não sabem como. Dizem ´Ah, eu vou plantar uma árvore aqui´. Isso não é algo efetivo. Para isso, a pessoa tem que estar no local do problema. Então é isso o que o projeto une. Pessoas que estão no local onde o problema está ocorrendo a pessoas que querem ajudar e têm dinheiro pra isso”, explica Ludymila.

A conexão inicial se dá por meio das empresas que compram certificados de árvores e geram recursos para que se compre sementes e sejam destinadas aos ribeirinhosA conexão inicial se dá por meio das empresas que compram certificados de árvores e geram recursos para que se compre sementes e sejam destinadas aos ribeirinhos

A partir do plantio e cultivo das mudas, os ribeirinhos passam a ser acompanhados por uma equipe técnica do projeto, a qual vai monitorar o crescimento das árvores para que sejam gerados certificados de carbono, disponíveis a partir das árvores efetivamente plantadas e que se tornam produtivas. Esses certificados podem ser negociados no mercado de carbono, gerando renda. Além disso, a pessoa que investir nos certificados receberá 50%  do valor investido após 18 anos, como título de capitalização. 

Os outros 50% obtidos pelo projeto com a venda dos certificados através do site vão para um fundo de investimento e serão distribuídos trimestralmente entre as famílias responsáveis pela manutenção das áreas plantadas. Assim, elas recebem remuneração por cada hectare com árvores que se tornam produtivas e podem plantar mais mudas, bem como se beneficiar de insumos produzidos por elas (frutos, sementes, óleos, etc), os quais podem, também, ser vendidos. 

Logo, empresas investem na compra dos certificados de árvores, que geram renda para a compra de sementes de mudas a serem plantadas e cultivadas por ribeirinhos. Assim que técnicos do projeto certificam que as árvores estão se desenvolvendo e produzindo, geram-se certificados de carbono que vão ser vendidos no site do projeto. Os compradores desses certificados, por vez, podem vendê-los no mercado de carbono e ter de volta 50% do valor investido na compra após 18 anos.

Após o crescimento das mudas, os técnicos do projeto permitem a criação de certificados de carbono que serão vendidos a qualquer pessoa através da internetApós o crescimento das mudas, os técnicos do projeto permitem a criação de certificados de carbono que serão vendidos a qualquer pessoa através da internet

“É essa a ideia do projeto. Gerar dinheiro e retorno pra todo mundo. Porque as empresas vão investir pra comprar as mudas e vão divulgar o nome delas como uma empresa verde. Elas podem, também, deter o valor por imposto de renda reduzido, porque existe lei que permite que empresas que estão investindo em algum projeto sócio ambiental deduzam certo valor do imposto de renda”, lembra a estudante. 

Estima-se que a cada hectare plantado e efetivamente produtivo as famílias recebam 1/3 do salário mínimo oriundos do fundo de investimento. A previsão de geração dos primeiros certificados a serem comercializados no site do projeto, o qual ainda vai ser construído, é de um a três anos. No primeiro ano, prevê-se que haja 2.200 árvores replantadas, num total de 6 hectares. No terceiro, o nº de árvores deve chegar a 7.400, totalizando 20 hectares.

A estudante ressalta que na Conferência Rio 92 foi estipulado o limite que cada País tem para poluir e que, caso passem desse limite, ele tem de comprar certificados de carbono de outros países. Ela acredita, porém, que isso não é uma licença para poluir, pois a pessoa tem de pagar se ela quiser ultrapassar essa quantia, algo que ninguém quer. “Toda empresa visa reduzir custos”, diz. 

O sistema permite que, ao final, todos saiam ganhando e ajudem a recuperar áreas desmatadasO sistema permite que, ao final, todos saiam ganhando e ajudem a recuperar áreas desmatadas

Atualmente, o projeto recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e concorre ao prêmio com mais um projeto da Universidade Federal do Amazonas - “Geração de Renda e Melhoria da Qualidade de Vida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé: Beneficiamento e Comercialização de produtos do cupuaçu”, do acadêmico João Pedro Machado – e mais 16 trabalhos de oito universidades federais da Região Norte do Brasil.

Nessa primeira edição do concurso, foram 189 projetos inscritos. Os autores dos projetos selecionados receberão prêmios nos valores de R$ 50 mil para o primeiro lugar, R$ 30 mil para o segundo e R$ 15 mil para o terceiro. Além disso, serão oferecidos prêmios extras que totalizam R$ 100 mil.

O Programa Amazônia 2020 foi lançado em 2010 pelo Santander Universidades e tem o objetivo de apoiar a educação superior na Região, promovendo a mobilidade de alunos e professores, incentivando a internacionalização da atividade acadêmica, além de estimular o desenvolvimento da pesquisa científica e da inovação e empreendedorismo sustentável. A iniciativa beneficiará por 10 anos as universidades participantes. 

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